quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Sem Título

Andar com destino certo mas ao mesmo tempo sem destino algum, indo pra um lugar específico mas sem saber pra onde ir. Um soluço preso na garganta, uma lágrima pendente no canto dos olhos, um aperto no peito, um grito sufocado em meio a um sem fim de noites insones vivendo pesadelos que não passam ao acordar do breve sono alcançado; caminhar a passos largos pra um futuro incerto, tomar decisões que afetam terceiros, horas guerreiro horas um pobre indivíduo assustado buscando no infinito uma razão de ser. Sentindo a sinfonia da vida tocar em seus ouvidos porém sem compreender ao certo que sendo, provavelmente a única pessoa que a escuta, tenha tanto desgosto quanto a ela. Esperar mas, esperar pelo que?! Sabendo que o que há de vir pode ser apenas mais um elo irritante dessa cadeia, desse infeliz ciclo de humilhações e dificuldades. 

Auto-suficiência parece ser o necessário para que esta sede de perfeição e aceitação seja contida. Será realmente possível algum dia se livrar de traumas e feridas abertas devido ao caminho sinuoso, estreito e em precária situação que a vida tratou de traçar? Por vezes o vislumbre de um remanso ou de uma grama verde que faz com que tenhamos força pra caminhar até o próximo "oásis" mas, o que fazer quando estes pontos de tranquilidade interior se tornam cada vez mais distantes e raros? Como se nossa capacidade estivesse sendo testada ao limite. Voltar atrás é inadmissível, pior do que seguir em frente. Quando se há pelo que lutar é isso que nos mantém em pé, ademais se não fora tal coisa há muito os pés descalços e cansados teriam procurado um lugar à beira do caminho junto aos outros. 

Nesta caminhada solitária o cansaço é inevitável, o esgotamento profundo quase que incurável, tudo isso deixarão marcas intensas que irão doer por toda a vida, basta uma mudança repentina do clima interior, uma palavra ou um gesto do mundo exterior para que tudo venha à tona com a força de uma enxurrada levando consigo todo e qualquer sentimento de felicidade e trazendo consigo ondas de incertezas e medo de que tudo se repita.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Querer X Poder

Porque será que para algumas pessoas é mais difícil aceitar determinadas coisas do que para outras? É como se o início do pensamento, baseado no princípio da dúvida de Descartes, te fizesse repelir muitos dos padrões impostos pela sociedade moralmente corrompida em seu caminho já sem nenhum atrativo, totalmente maçante e monótono nos quais todos os dias são criteriosamente previsíveis. 
Há muitos que condenam a Livre Escolha porém, com a falsa moral que lhes é característica, pois todos nós independente de qualquer fator, temos intrínseco em nossa natureza algo que é instintivo, o elemento voluptuoso da reprodução; este que, desde os tempos mais remotos da existência humana "civilizada" foi associado ao imoral e indecoroso justamente porque as figuras publicas ou, que se destacavam de alguma forma no cenário social, tinham a obrigação de manter a postura e dar "bom exemplo" aos demais para que assim fossem respeitados pelos seus subordinados. Teve-se início então a vida carnal sigilosa, que atualmente vira escândalo com frequência quando vem à tona, à conhecimento de outros estúpidos que também possuem culpa no cartório.
A sociedade tem o péssimo costume de condenar o diferente; eu diria apenas, que é mais digno alguém assumir que curte seja lá o que for sexualmente falando, do que um padre que esconde sua falta de caráter embaixo da batina bem passada e ainda evidencia o "pecado" alheio. Infelizmente toda a população está sordidamente sucumbindo ao ímpeto fascinante de criticar o próximo apenas porque ele faz o que eles não tem a audácia de fazer, porém  se corroem intimamente por querer estar do lado oposto deste quadro.
Julgar cada movimento alheio é fácil quando o objeto da calúnia ousa assumir perante toda a platéia,  que o assiste em silêncio mortal esperando apenas que seja apontado pelo primeiro libertino oculto sob a capa hipócrita da moralidade que é covarde em demasia para expor suas próprias vontades e desejos.
Só quando se põe em dúvida tudo o que se foi suscitado e adquirido durante todo o seu desenvolvimento mental desde a infância é que se pode começar a ponderar para si mesmo o que lhe cabe ser certo e errado. Se o indivíduo puder por abaixo todos os pilares que sustentam seus conceitos e reconstruí-los sob uma base mais sólida então será merecedor da liberdade tangível que o auto-conhecimento lhe proporciona.
A razão deveria ter uma função quase nula, de apenas direcionar o resto do corpo quanto se trata de relacionamentos, para que a ebulição de sentimentos e o próprio corpo possam agir por vontade própria, não se prendendo à um corrompido código de ética e conduta que determina uma escolha específica. Somos julgados por ousar querer e, porque não ter tudo que se quer?

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Some Words

Pessoas. Intenção.  Julgar.   Repulsa.    Conhecimento.     Conselho.      Bom.       Dar.        Vender.         Aparência.          Observar.           Longe. Falsa.  Moralidade.   Saber.    Inferno.    Vida.      Escolha.       Precipitar.       Desistir.        Fácil.         Fraqueza.          Agressão.          Gestação. Agressão.  Público.   Agressão.    Física.     Moral.      Ousadia.       Expulsar.        Vida.         Parasita.          Sentimento.           Extrair. Força.  Vital.   Sentir.    Lixo.    Pessoas.      Jamais.       Saber.        Guerreira.         Mulher.         Madura.           Lutar. Futuro.   Importante.    Vencer.     Contemplar.      Vitória.





Pensar ou Pastar?

"Conhece-te a ti mesmo..."  Sócrates

Desvendar as nuances do interior das nossas almas que refletem nas nossas ações, variações estas, que se expressam em forma de emoções, revelando um caos superficial, escondendo em si significados mais profundos. 
A eterna revelação da consequência que sempre esconde uma causa, quase sempre não percebida. Pelo simples fato de que o homem despreza ou ignora o que não lhe é óbvio. E dessa forma, segue vivendo como gado, maravilhando-se apenas com o pasto verde e abundante na sua frente, desconsiderando e aniquilando o senso crítico e a pontencialidade de compreender o mundo ao seu redor.
Por vezes é desafiado a se aventurar para além das porteiras e das cercas que delimitam sua zona de conforto mas, permanece inerte, estarrecido pelo medo do desconhecido, este que é tão atraente quanto perigoso. O perigo por sua vez é o que faz se exaurir por completo qualquer centelha de interesse; por fim contenta-se com sua pastagem garantida, do que arriscar e ousar a mudança.
Adestrado desde a infância pelas mídias, escola e religião, o homem-boi se fortaleceu e tornou-se uma criatura mansa e conformada com o ambiente e as condições em que vive, oferecendo a sua força de trabalho por um espaço na máquina, tornando-se assim, mais uma engrenagem do sistema. Tudo em troca de uns trocados, a fim de saciar a sua sede pelo consumo; fruto da própria influência ditatorial do sistema que o escraviza e do qual faz parte. Sem nunca se dar conta ou reagir a tal ciclo. 
Bastaria um vislumbre da sua condição de indivíduo, enquanto ser pensante e autônomo; 
Bastaria uma pálida ambição por algo mais digno e mais justo; 
Bastaria um olhar mais erguido, em direção ao horizonte ensolarado, para se questionar sobre a própria existência! 
Contudo, faz-se necessário decidir pensar; algo equivalente ao primeiro choro ao nascer, que faz os pulmões se encherem de vida - as boas vindas da natureza aos que decidem dar o primeiro passo à essa efêmera existência. 
Pensar e questionar deveria ser como respirar! Sobretudo duvidar. Conjecturar possibilidades de ângulos jamais imaginados. Valorizar perguntas sem respostas, e duvidar das possíveis respostas encontradas.
O homem que se submete à toda essa manipulação descarada imposta pelo meio em que vive e se sujeita à ela, claramente desconhece sua força; a força que há quando questiona pois, todas as definições encontradas até agora foram tomando consistência e dimensão a partir de outras mentes pensantes, ou não. Reside aí o enigma que envolve nossa lábil existência, na dubiedade, no ceticismo.
Porque se manter preso por vontade própria em um cercado imaginário? Vivendo delimitado por seus medos, insegurança e covardia, se alimentando da grama murcha e quase seca que está sob seus pés, adubada de forma relapsa com excrementos alheios, e causando uma desnutrição intelectual que pode se tornar fatal? Pra que  subjugar-se quando se pode de cabeça erguida dar um passo audaz em direção ao incerto e o desbravar com determinação?!


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Eles Se Foram Numa Manhã Qualquer

Só sabe o que é ter a genialidade e a loucura caminhando lado a lado e duelando entre si, dentro de si, quem consegue enxergar a vida sob um prisma no qual se tem acesso à todos os ângulos de visão. 
É algo que vai muito além da doença, alcança patamares superiores de contemplação, chega a dar impressão e sensação de estar perdido por vezes, mas a verdade é que desconhecemos o limite obscuro da sabedoria versus insanidade. 
Estar à um passo da desistência é chegar à um determinado momento da vida e se dar conta de que tudo que planejou pra si quando ainda conseguia fazer planos e sonhar, não passou de que um espectro projetado pela mente; e isto é, no mínimo desesperador e, chega a ser um divisor de águas na vida de alguém. Creia, nada é o que parece ser, ninguém é tão perfeito quanto observado à distância. Pessoas tem defeitos, manias, características que as tornam únicas e elas são feitas disso, se não puder aceitar e respeitar então, tudo estará perdido. O ser humano tem tudo o que quiser ser dentro de si e, mesmo que não seja na realidade, quem o poderá o dissuadir em seus devaneios?!
Tal fato nos faz ser acordados de sobressalto e perceber que não fizemos metade do que gostaríamos, que não nos tornamos quem deveríamos ser e não alcançamos a inclusão social à que nos considerávamos destinados; afinal, pessoas inteligentes deveriam deter o domínio de algumas coisas não?! 
Aos poucos se vê seus sonhos, seus projetos de felicidade, o tempo desprendido, uma das sete vidas que se tem, serem colocados em caixas e sendo separados, indicando o fim de um ciclo e que o fracasso é latente,  não há como fugir dele; Há sim que se viver intensamente cada momento pra que ele doa tudo que tem que doer e então deixe sua alma livre da percepção nítida da derrota que deixou de ser eminente pra se tornar efetiva. Seu desejo de ter uma família perfeita se desfez como um cristal, já muito rachado por diversas pancadas, se espatifando no chão frio da realidade. A única vontade que se tem é de nunca mais tirar as coisas das caixas porque, como saber que aquela será a ultima parada, o destino final em que se poderá descansar enfim. O que se sente é apenas sufoco e pressão para ser o que as pessoas querem que você seja, aja como elas agiriam se tivessem capacidade para ser como você mas, já não ousa fazer planos porque seus sonhos se foram numa manhã qualquer.
O sucesso (desconfio eu) reflete o fracasso de uns e outros, pois por mais que tente se esforçar nunca será bom o suficiente. Você era apto e fascinado pela gama de possibilidades que se desenhavam para seu futuro mas, não foi isso que foi detectado pela sociedade e, o mundo te julgou insensato, indigno, incapaz e sujo e o excluiu por não se adaptar aos moldes previamente estabelecidos.
Quando criança se imagina mil e uma coisas porém quando a idade vem e com ela as responsabilidades é que nos damos conta de que nada é o que parecia ser, a vida é dura, implacável, leva a lei da semeadura ao pé da letra e é mais ou menos "Tudo que fizer poderá ser usado contra você"! Acaba por ser tão imparcial em seu acerto de contas que por muitas vezes nem sabemos exatamente o que estamos pagando. 
Quando se olha a sua volta e vê o tempo passando, tem se o sensação de estamos deslocados, numa época que não deveria ser a nossa pois comporta coisas outrora inadmissíveis. Então se é invadido pelo maldito sentimento de "sei lá" que nos faz captar a necessidade que as coisas tem de tomar um rumo sozinho, sem a nossa interferência, haja visto que não há condições psicológicas para tal.



quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Undefined

Ele é o intangível, o imaterial, o abstrato; é Aquele que não consegue ser denominado de forma suficiente à descrever todas as suas características; é Aquele que É, mesmo quando não acreditamos ou desprezamos Sua existência.
Com ousadia e audácia para crer, n'Ele encontramos paz e segurança; Nas Suas mãos está nossa sorte e, nelas sei que, bem guardado está o futuro de quem se entrega.
Desde cedo, estabeleci um vínculo muito particular de confiança em Deus e com o passar do tempo e das experiências vividas aprendi que, seguir é diferente de andar com Ele. Embora, nenhuma de Suas criaturas sejam perfeitas eu talvez, seja uma das mais falhas; apesar tantas lacunas, dúvidas, questões e conflitos, a crença num Ser supremo, superior está intrínseca em meu interior. Não sei caminhar sem minha fé! É ela que me mantém viva! É a fé num Ser que transcende qualquer entendimento, pois a única forma de conhece-Lo em sua plenitude é se permitir acreditar, confiar e assim sendo, viver experiências espirituais sobrenaturais. 
Não! não me peça para explicar, para entrar em discussões filosóficas e/ou teológicas sobre o assunto porque não se encontrará jamais uma resposta racional para se crer em um Deus considerado vivo e soberano por muitos; porém devido à corja de insanos que julgam conhecer Deus e agir à Seus mandos, vemos o ato de acreditar se tornando cada vez mais banal e até virando sinônimo de doença, pois seus adeptos mais fanáticos possuem as mentes cauterizadas sem capacidade de divisar o real do utópico.
Posso falar apenas do que sinto: que Ele é a perfeição dos versos, a melodia das mais belas canções, o compositor do arranjo da sinfonia da vida, rege com maestria e harmonia impecáveis cada nota a ser desempenhada por seus filhos; porém, estar com uma boa peça em mãos não significa executá-la com primazia.

Doce Novembro

Ele vem nascendo tímido e sem jeito logo após o grande mês das mudanças. Quem o observa desavisado pode ser deixar enganar por sua doçura aparente; começa de leve e, como quem não quer nada se agiganta em tribulações e infortúnios. 
Durante todo o ano uma nuvem espessa se forma sobre nossas cabeças, como se a vida maquinasse pacientemente uma tempestade de sangue para nos fazer compensar os momentos bons que ela por hora nos concede; quando menos esperamos e, quanto mais novembro se adentra, tem-se início um temporal que velozmente se torna severo demais, anulando qualquer chance que detê-lo, este acaba por inundar nossas existências com uma torrente de águas lamacentas e perigosas que, por onde passam deixam um rastro de destruição e pavor.
Doce novembro que tem seu ápice de agruras no dia 15 e, quanta lógica há nisso! Que outro dia melhor para a desgraça atingir seu apogeu que não neste que divide o mês ao meio? Novembro vem para nos lembrar que durante onze meses vivemos, sorrimos e somos felizes mas quando ele chega implacável para cobrar seus juros, não há de quem não arranque uma lágrima. 
À mim é sempre reservado um presente de grego, veste a ilusão de que pode ser diferente mas é só o mesmo disfarce de sempre, do desespero que invade violentamente a minha alma conforme se aproxima este que deveria ser um "dia feliz".
Maldito novembro, que torna infeliz todos os meus anos fazendo com que o acumulado de dores e sofrimentos previstos para todo o ano seguinte se precipitem em apenas alguns dias. 
Você é, por mim caracterizado, o pior mês do ano! Tenho pânico quando se aproxima, você sempre deixa para trás um trauma incalculável, uma dor imensurável, um terror estampado nos olhos e ano após ano faz minha fobia aumentar de forma gradativa, à ponto de desejar intensamente dormir em outubro e já acordar em dezembro.
Eu sobrevivo mas, não sem as profundas marcas que me deixa, vá de uma vez embora e me deixe seguir meu caminho. Espero que um dia essa corrente maldita que amarra novembro possa ser quebrada!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Just One More Day

O clima está propício para tecer numa rede de idéias o vórtice de sensações que se pode ter apenas em um dia como este. 
A chuva cai lentamente numa garoa fina mas insistente desliza suavemente sob o guarda chuva de cor escura que carrego; sob meus pés, a cada passo vejo as poças que se formam no chão e, enquanto escrevo ao som de uma boa música coreana, levo em torno de dez minutos unicamente para atravessar  a movimentada rua que há no meu itinerário, porque hoje, somente hoje estou sem pressa. Com calma posso sentir a brisa espessa que os carros deixam pra trás enquanto passam apressados, numa rotina frenética atrás de um espectro que chamam de ideal; achando que estão vivendo mas, raramente param pra fechar seus olhos contra o vento e sentir o prazer que ele proporciona.
Há um acidente entre dois carros logo ali na esquina e após mais algumas passadas, outro quase acontece em minha frente; me perco pensando e procurando imaginar o motivo de tanta urgência, esta que pode resultar em uma viagem sem volta. 
Maravilhas que apenas um dia de chuva nos oferece, uma análise sucinta e equilibrada de sobre como o ânimo humano está estranhamente ligado às alterações climáticas, uns mais que outros é bem verdade, porém todos respondem de alguma forma à este estímulo da natureza.
Chego ao meu destino e, imóvel enquanto aguardo, percebo a solidão que cada indivíduo impõe para si mesmo e como delimitam sua convivência com o próximo tornando sua própria existência mesquinha e isolada, sem deixar margem para interpretações adicionais, apenas isso. 
Enquanto observo tantos carros estacionados com seus condutores confortavelmente assentados em um banco macio, quente e abrigados da chuva, chego a conclusão de que muitos deles jamais terão a percepção do que é depender apenas de si mesmo neste dia chuvoso; Valorizar o simples fato de estar viva e poder pensar me faz voar acima das nuvens de dificuldades que me são impostas todos os dias pela vida, a qual faz questão de nos mostrar diariamente como pode ser cruel quando aliada ao implacável tempo. 
Já não chove mais, e a música que toca é um pop norte-americano, me trazendo de volta à realidade do dia-a-dia, dizendo que tenho que ir, porque nada se constrói parado.

domingo, 4 de novembro de 2012

O Sentido do Perdão

O que seria um perdão imerecido? Eu te digo caro leitor, parafraseando Platão, o perdão é próprio de almas generosas isto é, não se decide perdoar, isto já está intrínseco em sua índole. É aquela pessoa que não consegue, nem querendo e sabendo que o outro merece ser o alvo de sua ira, se deixar levar por este sentimento tão mesquinho que é o ressentimento. Devido a isso e a falta de maturidade e/ou até caráter de alguns, acabam se tornando presas fáceis na sua incessante busca pelo amor. 
Ouve-se muito falar em corações partidos e desilusões, no entanto pouco ou quase nada se fala sobre esses, aqui por mim designados, assassinos de sonhos. Mulheres num geral são potenciais serial killers, nunca sabem o que querem e como consequência não reconhecem quando encontram; homens românticos, crentes no amor e em suas capacidades miraculosas são suas principais vítimas, embora estejam em extinção justamente por causa disso. Elas seduzem e inebriam os imprudentes para depois os afogar em um sem fim de ilusões e "se's", como uma maldita sereia moderna fazendo com que se percam os navegantes desavisados e por vezes destinando-lhes somente o óbito emocional. 
Numa crença um tanto infundada de que mulheres são frágeis e precisam de proteção se deixam enganar; todo o ser vivente tem o poder em suas mãos de trilhar o caminho que se deseja e por vezes não se sabe o que quer, isto é natural mas, saber o que 'não' se quer já é metade do caminho. 
Pessoas que culpam outras e vivem se desculpando são nitidamente covardes em busca de um cristo à quem julgar por seu próprio medo de viver e enfrentar os desafios da vida. Já dizem as más línguas que, quem quer arruma um jeito, quem não quer, uma desculpa! Triste fato!
Quando se cai na cilada de amar uma pessoa indigna de forma muito intensa, o empenho à que se é submetido é incalculável, as conseqüências imprevisíveis, o fim é certo e quase sempre a única coisa que provém de um relacionamento assim é a experiência, com a certeza de que nunca mais se quer passar por tal situação, a de amar uma criatura totalmente desprovida da capacidade de retribuir o cuidado dispensado.
O ser que merece o seu perdão dificilmente precisará dele e, quando precisar não terá de pedir pois o que não é digno dele, precisará com frequência e geralmente pelo mesmo motivo, tornando latente ao outro envolvido na relação as reais intenções e a bárbara manipulação à que está sendo submetido. 
Na atualidade, aqueles regidos pelo amor são taxados de tolos e, talvez sejam mesmo por procurar com tanto afinco algo que está cada vez mais raro, alguém que seja merecedor de sua entrega incondicional; uns encontram, outros não tem tanta sorte mas, uma coisa é certa, é muito melhor estar só do que acompanhado por um parasita sentimental que te abandonará cada vez que sua força vital estiver no fim e retornará assim que estiver recuperado para poder continuar fornecendo o que é substancial para a sua existência, a "entrega". A ciência de que o coração de alguém está à disposição pode ser fatal para seu portador.
A certeza de saber o que o outro sente pode gerar no amado uma falsa sensação de segurança enquanto que no "companheiro" por sua vez produz um comodismo que afeta toda a relação, sendo que o fundamento de uma relação saudável é a confiança mútua de um sentimento verdadeiramente recíproco. 
Quando apenas um dos envolvidos se doa os efeitos colaterais são inúmeros que podem, não com facilidade mas sim, serem corrigidos se tiverem coragem de se permitir um novo amor, um que realmente mereça toda a atenção dispensada e retribua com a intensidade e a sinceridade há tanto merecida e esperada.
A sabedoria quanto a isso reside em saber dispensar aí um perdão definitivo, o perdão da renúncia, do adeus, para então darem valor à todas as vezes em que foram perdoados e jogaram a chance que tiveram de fazer diferente no lixo. Isso faz que se arrependam imensamente até conseguir perdoarem a SI MESMO por terem perdido aquela que poderia ter sido a chance de felicidade plena da sua vida. Por fim, corrigindo uma máxima que li outro dia: Só sabe o que é perdão quem já muito perdoou porém, nunca precisou dele!

Ana

Dá-me filhos, se não morrerei! 

Clamou a mulher ao seu Rei,

E de uma semente amarga, dei à luz frutos doces,
Dois anjos azuis, pequenos guerreiros precoces;
Fazedores de sorrisos em meio às lágrimas, companheiros em quem me agiganto, razão do meu encanto!
Guardiões do sentido da minha vida, estrelas das minhas manhãs, acalanto do meu pranto...

Pranto do não-existir, do não-entender, do não-aceitar, do não-conformar...

Saberei no futuro, que nasci, simplesmente, para as minhas dores filosofar,
Seberino me ensinou os primeiros passos da grande arte de pensar;
Faria tudo outra vez, contudo, jamais faria o que tenha a liberdade como preço,
Não saberia esboçar um novo futuro sem razão de haver um recomeço...


Sem as minhas asas eu pereço, envelheço, entristeço... 
Escureço a vista, esmoreço os passos e os dias anoiteço!


Dá-me um par de asas ou morrerei!
À quem clamarei? À quem te manisfestarias, ó Rei?
Qual a razão da minha súplica? Se és Rei e fazes apenas o que queres?
Qual seria a diferença da minha petição para as de outras mulheres?


Sou criatura da terra com a alma de uma fênix, alçando um vôo sobrenatural,
Apenas registrando oscilações de normalidade e loucura surreal;
Não caibo no meu coração, perco as rédias da inquietação,
Meus pensamentos raptam a minha noção e a razão do meu coração;


Faço par com a solidão no meu mar de ideias sem sentido aparente,

Intelectualizo a minha tristeza com um bom rótulo aos que preferem um sorriso contente;


Uma simples Ana no meio de tantas Marias, 
Paulatinamente também sou Paula e também sou Farias;
Não sou santa mas sou Santos e trago comigo as lições de um Seberino,
Sou Catarina, filha de um pensador, uma sonhadora nesse mundo libertino;


Desconheço limites e desenho o meu próprio horizonte,
Do meu caminho sou autora, não espero que me aponte;
Questionadora do óbvio, pensadora nata,
Ana Paula Santos Seberino Farias; Entre letras e pensamentos também sou uma acrobata!


Autoria: Igor Campos